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Wilson Silva

O que a sala de aula da ESPM e 20 anos de mercado ensinam sobre IA aplicada

Dou aula na ESPM e dirijo uma consultoria de IA ao mesmo tempo, e essas duas rotinas me ensinaram algo que nenhuma delas, sozinha, teria ensinado: a maior barreira para a adoção de inteligência artificial nas empresas não é técnica. É educacional. Falta repertório a quem decide. E sem esse repertório, o investimento em tecnologia vira aposta — às vezes acerta, com frequência erra, e quase nunca ensina por que aconteceu. Vejo isso dos dois lados da mesa. Na sala de aula, encontro executivos brilhantes que sabem gerir times, ler um balanço e fechar um contrato, mas que travam diante de IA porque ninguém lhes deu uma base conceitual mínima para distinguir o que é real do que é promessa de fornecedor. No mercado, encontro empresas que compraram a ferramenta antes de entender o problema, e que agora têm uma assinatura cara e nenhum resultado. Os dois grupos sofrem do mesmo mal: confundem ter a tecnologia com saber usá-la para decidir. Este artigo é sobre esse ponto cego. Sobre por que a educação executiva é a peça que falta na maioria dos projetos de IA, o que vinte anos de mercado e a sala de aula me ensinaram sobre como atravessar essa lacuna, e por que a adoção que dá certo começa muito antes da escolha de qualquer software. O que significa “educação executiva em IA” Quando falo em educação executiva em IA, não estou falando de ensinar a programar nem de transformar diretor em cientista de dados. Estou falando de algo mais fundamental e mais útil: dar ao tomador de decisão o repertório necessário para fazer boas perguntas, reconhecer uma boa resposta e julgar quando uma promessa de tecnologia não se sustenta. Esse repertório tem três componentes. O primeiro é conceitual: entender o que IA faz e o que

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