Adoção de IA em empresas brasileiras: o que os dados de mercado mostram

Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, 17% das empresas brasileiras com mais de dez funcionários já utilizam inteligência artificial — alta frente aos 13% de 2024. Mas o número esconde uma distância decisiva: entre as grandes empresas a adoção chega a 50%, enquanto entre as pequenas fica em 15%. E “usar” ainda está longe de “ter em produção” — outra pesquisa, da Abiacom, aponta que 72% das empresas estão em estágio apenas iniciante ou experimental. A distância entre experimentar e operar é o dado que realmente importa para quem decide investir.

Sumário

  1. Quantas empresas brasileiras usam inteligência artificial?
  2. O que diferentes fontes medem
  3. Por que a distância entre usar e produzir importa
  4. O que os dados de mercado indicam sobre barreiras
  5. O que observar em 2026
  6. Limites desta leitura
  7. Perguntas frequentes

Quantas empresas brasileiras usam inteligência artificial?

Vale registrar a diferença entre as fontes, porque cada uma mede uma camada: o Cetic.br mede adoção declarada (17%); a Abiacom mede maturidade, e mostra que a maioria dos que adotaram ainda não estruturou o uso (72% em estágio inicial). As duas leituras juntas contam a história real — muita experimentação, pouca operação madura.

O que diferentes fontes medem

Vale saber o que cada pesquisa está contando, porque “adoção de IA” significa coisas diferentes em cada uma:

  • Uso de ferramenta genérica — inclui qualquer colaborador usando um assistente de texto. É o número mais alto e o menos significativo.
  • Adoção declarada pela empresa — a empresa afirma usar IA de alguma forma. Número intermediário.
  • IA em produção — um processo de negócio roda com IA e dependeria dela para funcionar. É o número que se correlaciona com resultado, e o mais baixo.

Os dados de mercado sustentam essa separação. O Cetic.br mostra que, entre as empresas que usam IA, o recurso mais comum é geração de linguagem natural, que saltou de 20% para 30% de adoção em um ano — ou seja, boa parte do “uso” é ferramenta de texto, a camada mais leve. Já a pesquisa da Abiacom expõe o outro extremo: 47,4% dos profissionais relatam usar IA sem aprovação oficial da empresa (o chamado “Shadow AI”), o que significa uso individual que não é processo da organização. Entre o uso informal e a IA em produção há um abismo, e é nele que a maioria das empresas se encontra.

Por que a distância entre usar e produzir importa

Usar uma ferramenta genérica gera ganho individual e imediato, que não acumula na empresa e não cria vantagem competitiva — o concorrente tem acesso à mesma ferramenta no mesmo dia. Ter IA em produção significa uma camada de integração, dado e processo que leva tempo, não se compra pronta e não se replica. As duas coisas aparecem juntas na estatística de “adoção”, e são realidades separadas por uma ordem de grandeza em investimento e retorno.

O que os dados de mercado indicam sobre barreiras

As pesquisas de 2025 e 2026 apontam para um padrão consistente de barreiras, e a principal não é falta de acesso à tecnologia — é fragmentação. Segundo o KPMG Global Tech Report 2026, 45% dos executivos brasileiros afirmam ter múltiplos projetos de IA operando de forma desconectada, com experimentos isolados em vez de plataformas integradas. Some-se a isso o dado do Cetic.br de que 80% das empresas preferem adquirir soluções prontas a desenvolver, e o retrato fica claro: a barreira dominante não é começar a usar IA, é transformar experimentos espalhados em operação integrada. Ambição correndo mais rápido que execução, na expressão do próprio relatório da KPMG.

O que observar em 2026

Em vez de cravar uma projeção de adoção, os indicadores que antecedem a mudança: custo decrescente de modelos, maturidade de ferramentas de integração, e o deslocamento do discurso de “usar IA” para “medir resultado de IA”. A pergunta que separa as empresas em 2026 não é mais se usam IA — é se conseguem provar retorno.

Limites desta leitura

Declarar: os dados de adoção variam bastante entre fontes por causa de metodologia e recorte de amostra. Servem para ler a direção do movimento, não para um número único definitivo. Pesquisas com autosseleção tendem a superestimar a adoção.

Perguntas frequentes

Qual o percentual de empresas que usam IA no Brasil? Segundo a pesquisa TIC Empresas 2025 do Cetic.br, 17% das empresas com mais de dez funcionários usam IA — 50% entre as grandes e 15% entre as pequenas. É a referência pública nacional; estudos como os da Deloitte e da KPMG trazem recortes complementares.

Adoção declarada é o mesmo que uso real? Não. Declarar uso inclui experimentação pontual. Uso em produção, com processo dependente da IA, é uma fração menor — e é o que se correlaciona com resultado.

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A WS Labs desenvolve agentes de IA e automações inteligentes que viram infraestrutura de crescimento — não ferramenta isolada. Todo mundo usa IA; quase ninguém constrói com ela.

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