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Wilson Silva

O “Gemini 4” que nunca existiu: notas sobre a economia da desinformação em torno da inteligência artificial

Há um descompasso crescente entre a quantidade de pessoas que falam sobre IA nas redes sociais e a quantidade de pessoas que de fato sabem do que estão falando. O custo desse descompasso recai, ironicamente, sobre quem mais precisa entender a tecnologia. Em abril de 2026, o Google anunciou o lançamento do Gemma 4, a nova geração de sua família de modelos abertos de linguagem, projetada para rodar localmente em notebooks, estações de trabalho e dispositivos móveis. Em poucas horas, postagens em redes sociais brasileiras anunciavam, com entusiasmo de quem dá um furo, que o Google havia lançado o “Gemini 4” — modelo que não existe. Gemma e Gemini são linhas distintas: a primeira, conforme a própria documentação oficial do Google, é uma família de modelos abertos voltada a desenvolvedores; a segunda é a linha proprietária comercial. A confusão pode parecer detalhe técnico, mas é exatamente o tipo de erro que separa quem entende a arquitetura de quem apenas reproduz manchete. Episódios assim deixaram de ser exceção. Em sala de aula e em projetos de consultoria, tenho observado um padrão que merece análise mais cuidadosa: o crescimento simultâneo do entusiasmo por inteligência artificial e da desinformação sobre ela. Os dois fenômenos não são contraditórios. São, na verdade, complementares — e essa complementaridade explica boa parte do mal-estar atual em torno da tecnologia. Muita gente usando, quase ninguém aproveitando A TIC Domicílios 2025, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil por meio do Cetic.br/NIC.br, mostra que 32% dos usuários de internet no país — aproximadamente 50 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais — já experimentaram alguma ferramenta de IA generativa. À primeira leitura, o número é animador. À segunda, começa a perder o brilho: 84% desses usuários empregam a tecnologia exclusivamente para finalidades pessoais, e a adoção despenca

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Wilson Silva

A Era Agêntica e o Fim do ‘Prompt Engineering’ como o conhecemos: Lições do Stanford AI Index 2026

A Revolução Silenciosa da IA Agêntica A inteligência artificial está em constante evolução, e 2026 marca um ponto de inflexão significativo. O que antes era um campo dominado pela engenharia de prompts – a arte e a ciência de criar instruções eficazes para modelos de linguagem – está rapidamente cedendo espaço para a IA Agêntica. Esta nova era, destacada por relatórios como o Stanford AI Index 2026 e análises da McKinsey , redefine a interação humana com a IA, movendo-a de uma ferramenta reativa para um parceiro proativo e autônomo. Tradicionalmente, o Prompt Engineering exigia uma compreensão profunda de como formular perguntas e comandos para extrair o máximo dos modelos de IA. Era um diálogo, uma orquestração manual. No entanto, a ascensão dos agentes de IA, sistemas capazes de raciocinar, planejar e executar tarefas complexas de forma independente, está transformando essa dinâmica. Não se trata mais apenas de pedir; trata-se de delegar. Este artigo explora as profundas implicações dessa transição, analisando os dados mais recentes e as tendências que moldam o futuro da inteligência artificial. Vamos mergulhar nas capacidades emergentes da IA agêntica, seu impacto no mercado de trabalho, os desafios éticos e operacionais, e o que isso significa para profissionais e empresas que buscam se manter na vanguarda da inovação. O Salto Quântico: Da IA Reativa à IA Proativa O Stanford AI Index 2026 revela uma aceleração sem precedentes nas capacidades da IA. Longe de estagnar, a inteligência artificial está expandindo suas fronteiras em um ritmo vertiginoso. Modelos de fronteira demonstraram um ganho impressionante de 30 pontos percentuais em apenas um ano no desafiador “Humanity’s Last Exam”, um benchmark projetado para ser difícil para a IA e favorável a especialistas humanos. Isso sublinha não apenas o avanço técnico, mas também a crescente sofisticação dos modelos em tarefas de raciocínio

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